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9 de dezembro de 2025 - 9 minutes

Consultor de IA: Função e Competências

Descobre o papel do consultor de IA, as suas missões, as competências-chave, os salários e o percurso ideal para começar em 2026.

Maya Tazi

Inteligência Artificial

A IA está a mudar as regras do jogo nas empresas, não apenas na Tech ou na investigação, mas em todos os setores. Hoje, cada vez mais organizações procuram tirar partido da IA para automatizar, analisar e inovar. Perante esta aceleração, o papel de consultor de IA afirma-se como um perfil estratégico e muito procurado.

Aliás, segundo a consultora Gartner, mais de 80% das empresas terão utilizado APIs de IA generativa ou implementado aplicações baseadas em IA generativa até 2026 (contra menos de 5% em 2023).

👉 Se estás a pensar mudar de carreira ou reforçar competências, esta profissão pode ser uma excelente porta de entrada para um universo em plena expansão.

Em resumo: a profissão de consultor de IA

O consultor de IA ajuda as empresas a definir como a IA e, em especial, a IA generativa pode responder às suas necessidades: automação, ganhos de produtividade, inovação de produto, insights a partir de dados, entre outros. Analisa o contexto, identifica casos de uso relevantes, desenha soluções, gere projetos e acompanha as equipas na implementação.

Este papel destaca-se pelo seu carácter híbrido: está no cruzamento entre negócio, dados, tecnologia e estratégia. Com a aceleração do uso da IA, as empresas precisam cada vez mais de perfis capazes de ligar ambições estratégicas à realidade tecnológica.

Em termos práticos, um consultor de IA é a pessoa que:

  • traduz desafios de negócio em soluções de IA concretas,

  • escolhe ou desenha as ferramentas certas,

  • antecipa riscos e desafios (dados, governação, adoção),

  • acompanha as equipas na transição.

As principais missões do consultor de IA

O trabalho do consultor de IA organiza-se em torno de três eixos: analisar, conceber e acompanhar. O objetivo é simples: transformar a IA em valor real para a empresa, e não em mais um gadget.

1. Avaliar a situação e identificar oportunidades de IA

Antes de tudo, o consultor começa por analisar o contexto: dados disponíveis, processos, necessidades das equipas, restrições técnicas. O desafio é identificar os casos de uso com maior impacto.

Segundo a McKinsey, as tecnologias de IA, incluindo a IA generativa, poderiam, do ponto de vista técnico, automatizar até 60 a 70% das atividades atualmente realizadas pelos colaboradores.

👉 Este número não reflete o que já está automatizado, mas sim o potencial real que se abre às organizações.

Para um consultor, isto traduz-se numa missão essencial: identificar onde a IA pode criar valor, sem prometer mais do que pode entregar.

2. Conceber soluções de IA ajustadas às necessidades

Depois de identificadas as oportunidades, o consultor define a solução: protótipos (PoC), escolha de modelos, seleção de ferramentas (LLM, APIs, automações), enquadramento técnico e trabalho conjunto com equipas de Dados ou de Desenvolvimento.

Com a multiplicação de modelos (OpenAI, Claude, Gemini…), as empresas precisam de perfis capazes de escolher a tecnologia certa com critério, em vez de tentar desenvolver tudo internamente.

3. Implementar, formar e acompanhar as equipas

A adoção é, muitas vezes, o ponto fraco dos projetos de IA. Por isso, o consultor intervém para:

  • formar as equipas,

  • produzir documentação,

  • apoiar a mudança,

  • medir o impacto real do projeto.

Um estudo do MIT (2023) mostra que a IA generativa aumenta a produtividade em 37% em determinadas tarefas quando é bem integrada.

➡️ Este ganho só acontece se os colaboradores compreenderem a ferramenta e a utilizarem de facto.

Competências essenciais para te tornares consultor de IA

Ser consultor de IA implica desenvolver um conjunto de competências híbridas: técnicas para perceber como a IA funciona; estratégicas para responder às necessidades do negócio; e humanas para apoiar a mudança.

Estas são as competências que realmente distinguem um bom consultor de IA em 2025.

1. Compreensão clara dos modelos de IA e da sua integração

Um consultor de IA não tem de ser Data Scientist, mas domina os fundamentos que lhe permitem compreender:

  • os diferentes tipos de modelos (LLM, modelos preditivos, embeddings, agentes),

  • os seus pontos fortes, limitações e contextos de uso,

  • as lógicas de integração: APIs, automação, ferramentas de negócio, fluxos de dados.

Mais importante do que saber programar é a capacidade de avaliar soluções, perceber como ligá-las a um ecossistema existente e comunicar eficazmente com equipas técnicas.

2. Domínio de prompts, avaliação e otimização

Com a IA generativa, o consultor torna-se um verdadeiro “arquiteto” de prompts:

  • cria instruções robustas,

  • estrutura interações,

  • testa, documenta e otimiza,

  • garante que o modelo produz resultados fiáveis e coerentes.

Esta competência é hoje central, porque influencia diretamente a qualidade dos protótipos, automações e copilotos internos que as empresas querem implementar.

3. Capacidade de desenhar uma solução de IA de ponta a ponta

Um dos pontos-chave da profissão é conseguires imaginar e estruturar uma solução completa de IA a partir de uma necessidade de negócio.

Isto implica:

  • analisar um caso de uso,

  • escolher o modelo ou abordagem certos,

  • criar um protótipo (PoC),

  • orquestrar um workflow ou automação,

  • antecipar riscos (dados, segurança, enviesamentos),

  • definir KPIs de sucesso.

As empresas não procuram apenas técnicos, mas profissionais capazes de transformar IA em valor operacional.

4. Capacidade de acompanhar as equipas

A IA não se impõe sozinha: explica-se, testa-se e adota-se.

O consultor deve saber:

  • simplificar conceitos complexos,

  • tranquilizar, orientar e envolver,

  • ajudar as equipas a perceber porquê e como usar a ferramenta,

  • gerir a transição entre workflows antigos e novos.

Segundo um estudo do MIT (2023), a IA generativa pode aumentar a produtividade em 37% quando é acompanhada de formação e onboarding adequados.

Este papel de acompanhamento é, por isso, central e distingue claramente quem faz um projeto de IA resultar de quem apenas o entrega.

5. Uma abordagem prática e orientada a portfólio

Um consultor de IA tem de conseguir mostrar o que sabe fazer:
protótipos, automações, agentes especializados, copilotos personalizados, integrações via API…

As organizações valorizam quem consegue:

  • demonstrar competências na prática,

  • apresentar casos reais,

  • explicar decisões tomadas,

  • provar que consegue levar um projeto de IA até ao fim.

As formações mais relevantes hoje são as que apostam numa abordagem prática, com projetos reais, casos de uso, e soluções implementadas, porque refletem melhor o que as empresas esperam em 2025.

👉 É exatamente isso que te permite destacar numa candidatura ou numa missão de consultoria em IA.

Porque é que as perspetivas são tão positivas

  • A procura por perfis híbridos que combinem técnica, estratégia e acompanhamento está a explodir. As empresas precisam de consultores capazes de transformar oportunidades de IA em projetos concretos e sustentáveis.

  • À medida que a IA generativa, as APIs e as ferramentas de automação se generalizam, cresce a necessidade de “tradutores” entre negócio e tecnologia. Os consultores de IA tornam-se peças-chave.

  • Com experiência, competências sólidas e um bom portfólio, um consultor de IA pode ambicionar funções de grande impacto, muitas vezes com prémios, bónus ou missões freelance, o que multiplica o potencial de rendimento.

Para quem se forma hoje com competências na interseção entre IA, gestão de projeto e transformação digital, o momento é ideal: o mercado está dinâmico, as expectativas são elevadas e os salários, atrativos.

Como te tornares consultor de IA?

Não existe um único caminho para chegar a consultor de IA. Pelo contrário: os percursos são variados e muitas vezes inesperados. O ponto comum entre quem tem sucesso é a mesma ambição: perceber como a IA pode transformar um negócio, um serviço ou uma empresa, e saber demonstrá-lo.

Entender a IA… mas sobretudo perceber o que fazer com ela

O ponto de partida não tem de ser técnico. O mais importante é perceber como a IA funciona, como um LLM processa informação ou como uma automação pode tornar um processo mais fluido sem revolucionar toda a infraestrutura.

Aos poucos, a perspetiva muda. Deixas de ver a IA como “uma ferramenta” e passas a encará-la como uma alavanca, um motor de produtividade, um acelerador de decisões. É aqui que a lógica de negócio se torna crucial.

O verdadeiro clique: pensar como um arquiteto

O consultor de IA não se limita a aplicar modelos.
Constrói uma visão.

Uma necessidade → um caso de uso → uma solução → um impacto.

Esta capacidade de estruturar um projeto, explicá-lo e ajustá-lo com base no feedback do terreno é o que muitas vezes distingue um bom consultor de um perfil puramente técnico.

É também o que permite avançar depressa: focar no essencial, evitar desvios e prototipar apenas o necessário para convencer.

E depois vem a prática. A verdadeira.

É ao desenvolver um agente de IA, ligar uma API ou orquestrar um workflow que percebes, de facto, o que a IA pode mudar.

Não é um conhecimento teórico.
É um saber-fazer que se constrói a testar, a criar e a iterar.

Esses projetos tornam-se provas concretas:
um portfólio que mostra não só o que sabes fazer, mas como pensas.

Não esquecer a dimensão mais subestimada da profissão: o lado humano

A adoção da IA raramente falha por causa da tecnologia.
Falha por causa das pessoas.

O consultor de IA tem de criar uma ponte entre as ferramentas e quem as vai usar: esclarecer, dissipar dúvidas, mostrar benefícios concretos e acompanhar as equipas na utilização.

É este equilíbrio entre tecnologia, estratégia e pedagogia que torna esta profissão tão única e atrativa.

Com o tempo, cada um encontra o seu território de especialização

IA generativa aplicada ao marketing.
Automação de processos de negócio.
Copilotos internos.
Agentes especializados.
Estratégia de IA à escala.

O campo é vasto, está em constante evolução e as empresas estão a acelerar esta implementação.
Isto cria hoje uma janela de oportunidades excecional para perfis capazes de ligar IA às necessidades reais do negócio.

👉 Se estás a ponderar uma mudança de carreira ou reforçar competências, o momento é excelente: as competências são escassas, a procura é alta e as oportunidades, bem reais.

FAQ

Um consultor de IA precisa de saber programar?

Não obrigatoriamente. Muitas vezes basta compreender a lógica dos modelos, das APIs e dos workflows para trabalhar bem com equipas técnicas. O consultor de IA é sobretudo valorizado pela capacidade de compreensão, conceção e acompanhamento.

Qual é a diferença entre um consultor de IA e um Data Scientist?

O Data Scientist constrói e treina modelos.
O consultor de IA identifica casos de uso, desenha soluções, orquestra a integração e acompanha as equipas.
Trabalham em conjunto, mas respondem a necessidades diferentes.

É uma profissão acessível em mudança de carreira?

Sim, desde que te formes com empenho nas bases da IA e pratiques com projetos reais. É uma profissão híbrida, onde compreender o negócio é tão importante quanto a parte técnica.

Que tipos de ferramentas usa um consultor de IA?

Principalmente modelos de IA generativa, plataformas de automação, APIs, ferramentas de análise e ambientes no-code/low-code. O essencial não é dominar tudo, mas saber escolher o que melhor serve cada projeto.

A IA vai substituir o papel do consultor?

Não. As empresas precisam de especialistas que saibam enquadrar, explicar, garantir um uso responsável da IA e apoiar a adoção. A IA automatiza; o consultor dá sentido e direção.

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